
O que fazer depois de ser demitido: a primeira semana, dia a dia
O que fazer depois de ser demitido: o que perguntar na reunião, o que pedir por escrito, o plano de saúde, os prazos e o que não fazer na primeira semana.
Como se recolocar no mercado de trabalho: prazos da primeira semana, alvo de cargo e salário, currículo para a vaga e a conta de onde a busca para.

Para se recolocar no mercado de trabalho depois de uma demissão, trate a busca como um projeto com prazo e conta: primeiro os direitos da primeira semana, depois um alvo de cargo e salário, um currículo reescrito para as vagas abertas hoje, um horário fixo por semana e uma planilha que mostra em que etapa as suas candidaturas param. Quem já trabalhou tem experiência para mostrar. O que costuma travar é o método: o currículo do emprego anterior, a candidatura para tudo e nenhuma medida do que está dando errado.
Este guia é para quem foi desligado há pouco ou há alguns meses e quer voltar ao mesmo nível, com o dinheiro contado. Ele junta os prazos da lei, os números do IBGE sobre quanto tempo a procura costuma levar, um exemplo da conta das etapas e o que mudar conforme a etapa em que você trava. No fim, tem uma lista do que fazer esta semana.
Conselho de recolocação profissional costuma vir em lista solta: atualize o currículo, faça networking, mantenha a calma, estude. Cada item faz sentido, mas a lista não diz a ordem, nem quanto tempo dar a cada coisa, nem como saber se está funcionando. Um plano diz. São seis frentes, e as duas primeiras vêm antes de qualquer candidatura.
A ordem importa por um motivo prático. Se você começa a mandar currículo no dia seguinte à demissão, com o documento que escreveu anos atrás e sem saber para qual cargo, as primeiras semanas viram uma pilha de recusas que não ensinam nada. E elas pesam: a impressão de que “o mercado não me quer” nasce justamente dessas candidaturas feitas no escuro.
Também importa porque o jeito de contratar mudou desde a última vez que você procurou emprego, se isso foi há cinco ou dez anos. Hoje a triagem, a primeira seleção, quando a empresa decide quem segue no processo, pode passar por sistema e por inteligência artificial antes de chegar a uma pessoa. O currículo precisa ser escrito para isso, e a seção sobre ele, mais abaixo, mostra os números.
Nenhuma das seis frentes promete prazo. O que elas fazem é trocar a sensação de “estou fazendo tudo e nada acontece” por informação: o que você fez, o que mudou e o que testar a seguir. Numa busca que pode durar meses, saber onde mexer vale mais do que se esforçar mais.
A pergunta que mais pesa é “quanto tempo isso vai levar?”. Ninguém sabe responder para o seu caso, mas os números do IBGE dão a moldura. O IBGE chama de desocupação a situação de quem procura trabalho e não consegue. No trimestre de junho a agosto de 2026, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,3%, e o país tinha cerca de 5,8 milhões de pessoas nessa situação.
A pesquisa também pergunta há quanto tempo cada pessoa está procurando. No 2º trimestre de 2026, 28,8% dos desocupados procuravam trabalho havia 1 ano ou mais, cerca de 1,7 milhão de pessoas. Dentro desse grupo, cerca de 1,06 milhão procurava havia 2 anos ou mais. O restante, a maior parte, procurava havia menos de um ano.
28,8%das pessoas que procuravam trabalho sem conseguir estavam nessa busca havia 1 ano ou mais
Como ler: Junta todas as idades, profissões e regiões, inclusive quem procura sem método. Não é uma previsão para o seu caso: serve para planejar o dinheiro sem contar com uma busca curta.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua trimestral (SIDRA, tabela 1616), 2º trimestre de 2026
Dá para ler esse número sem se assustar e sem se iludir. Primeiro, ele mostra que busca longa existe e não é uma exceção rara. Planejar o dinheiro como se tudo fosse se resolver em poucas semanas é arriscado. Segundo, ele junta gente muito diferente: todas as idades, escolaridades, cidades e profissões, inclusive quem procura sem nenhum método. Não é a sua previsão. É o motivo para montar a busca de um jeito que você consiga medir e corrigir.
A sensação de que ficou mais difícil também aparece nas pesquisas. Numa pesquisa do LinkedIn feita pela Censuswide, instituto de pesquisa, em novembro de 2025, com 19.113 pessoas em vários países, incluindo o Brasil, 63% dos profissionais brasileiros disseram que buscar emprego ficou mais difícil no último ano, por causa de mais concorrência e processos mais exigentes. Na mesma pesquisa, 77% acharam os processos seletivos longos demais.
Processo longo tem uma consequência prática: as etapas de uma única vaga podem levar semanas. Por isso o plano conta candidaturas e retornos, e não só propostas. Se você medir só proposta, passa semanas sem informação nenhuma. Se medir cada etapa, em um mês já sabe onde mexer, e o primeiro lugar onde costuma valer a pena olhar é o currículo.
Desempregado, o que fazer primeiro? Antes do currículo, os prazos. São poucos, têm data e, se passarem, você perde dinheiro que vai sustentar a busca. A explicação completa, com o que receber em cada tipo de saída, está no guia de direitos na demissão sem justa causa, a demissão comum, por decisão da empresa. Aqui vai o essencial para o calendário.
O termo de rescisão. É o documento que lista o tipo de demissão, a data de saída e as verbas rescisórias, o que a empresa tem de pagar na saída: saldo de salário, férias, 13º proporcional e aviso prévio. Leia antes de assinar. Se algo parecer errado ou faltar, anote e pergunte ao sindicato da categoria antes de assinar.
O prazo do pagamento. Pela CLT, o empregador tem até 10 dias, contados do fim do contrato, para pagar as verbas e entregar os documentos da rescisão. Se atrasar além disso, a lei prevê uma multa no valor de um salário seu, salvo quando o próprio trabalhador causou o atraso.
O seguro-desemprego. O pedido pode ser feito a partir do 7º dia contado da demissão e até 120 dias depois dela. Tem direito quem foi dispensado sem justa causa e cumpre os requisitos da lei, como o tempo mínimo de salários recebidos. O seguro é pago de 3 a 5 parcelas mensais, conforme o tempo trabalhado nos 36 meses anteriores à dispensa. Não deixe o pedido para o fim do prazo.
O FGTS. Na demissão sem justa causa, a empresa deposita na sua conta do FGTS uma multa de 40% sobre os depósitos feitos durante o contrato, e você pode sacar o saldo. A exceção é quem aderiu ao saque-aniversário, a modalidade em que você saca uma parte do saldo todo ano, no mês do aniversário: nesse caso, você não saca o saldo pela demissão, mas recebe a multa. Confira no aplicativo do FGTS qual é a sua modalidade antes de contar com esse dinheiro.
Se você ainda está no aviso. Quando a empresa dá o aviso prévio e você trabalha o período, a jornada cai 2 horas por dia sem desconto no salário, ou você troca essa redução por 7 dias corridos sem trabalhar, no aviso de 30 dias. Essas horas existem para você procurar emprego. Use já para as frentes do alvo e do currículo.
Uma regra vale para toda esta seção: este guia não calcula o valor da sua rescisão nem do seu seguro, porque eles dependem do seu contrato, do seu salário e da convenção da sua categoria. Para o seu caso, confira com o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista.
E se a empresa ofereceu outplacement, o serviço de recolocação que ela paga para quem desligou, aceite e use. Ele não substitui o plano deste guia, mas pode dar revisão de currículo, treino de entrevista e alguém com quem conversar sobre a busca.
O erro mais caro das primeiras semanas é se candidatar a tudo o que parece possível: analista, coordenação, especialista, área vizinha, cidade diferente. Parece aumentar a chance, mas faz o contrário. O currículo fica genérico, a conta das etapas fica impossível de ler e cada recusa parece pessoal.
O alvo é uma frase curta, escrita antes da primeira candidatura: o cargo, o nível, o tipo de empresa, o modelo de trabalho (presencial, híbrido ou home office) e a faixa de salário. Por exemplo: “coordenação de compras, indústria de médio porte, híbrido na minha região, salário parecido com o último”. Você pode ter dois alvos, no máximo três, e cada um ganha a sua versão de currículo.
| Alvo | Quando faz sentido | O que muda na busca |
|---|---|---|
| O mesmo cargo e o mesmo nível | Você gostava do trabalho e a sua área está contratando | Currículo com resultados recentes, candidaturas no seu nível, pretensão perto do último salário |
| Um degrau acima | Você já fazia parte do trabalho do cargo de cima (liderava pessoas, cuidava de orçamento) | Currículo que prova essas entregas; menos vagas e mais preparo para cada uma |
| Um degrau abaixo, de propósito | A reserva está curta ou a vaga abre a porta de uma empresa ou área que você quer | Um piso de salário definido antes e um motivo claro, que você consiga dizer na entrevista |
| Uma vaga ponte, em área vizinha | Você quer mudar de área sem recomeçar do zero | Currículo que mostra o que da sua experiência serve na área nova; mais conversa e menos candidatura fria |
Para conferir se o alvo existe, vá às vagas antes de escrever qualquer coisa. Abra dez ou quinze anúncios abertos hoje para o cargo que você escolheu, no mural de vagas abertas de pleno a gerência e nos sites que você costuma usar, e anote três coisas: os títulos que as empresas usam para esse trabalho (o seu cargo antigo pode ter outro nome lá fora), os requisitos que aparecem em quase todos e o que se repete na descrição das atividades. Essa lista vira a matéria-prima do currículo.
O salário entra no alvo com dois números: a faixa que você vai pedir e o piso abaixo do qual você não aceita, escrito antes, com a cabeça fria. Sem piso, a pressão do dinheiro decide por você no meio de uma entrevista. Como chegar à faixa e responder à pergunta em cada etapa do processo está no guia de pretensão salarial. E, para saber em que vagas abertas o seu perfil cabe hoje, dá para ver as vagas abertas em que o seu currículo tem mais chance, com o que falta em cada uma.
Se a vaga ponte for o seu caso, o tema de transição de carreira reúne o que muda no currículo de quem troca de área. Se o alvo for um degrau abaixo, deixe o motivo escrito no resumo do currículo. Um currículo de coordenação mandado para uma vaga de analista sem explicação costuma ser lido como o de quem vai embora na primeira proposta melhor.
O currículo que você tem foi escrito para o emprego anterior. Ele conta o que você fazia, com os nomes que a sua empresa usava, e para numa data. A vaga aberta hoje pede outra coisa: as palavras do anúncio, os resultados que importam para aquele cargo e os últimos anos em primeiro plano.
Há dois motivos para reescrever, e os dois têm número. O primeiro é a máquina. A Gupy, plataforma brasileira de recrutamento, diz que 64% das contratações feitas nela saem dos 10 primeiros candidatos sugeridos pela inteligência artificial da própria plataforma. É dado de divulgação da empresa, sem metodologia publicada, mas mostra a lógica: a ordem em que o seu currículo aparece para o recrutador depende de quanto ele conversa com a vaga. Quando a empresa usa um ATS, o sistema de recrutamento que recebe e organiza as candidaturas, o raciocínio é o mesmo.
O segundo motivo é que o texto feito com inteligência artificial ficou comum dos dois lados da mesa. No Talent Trends 2026 da Michael Page, consultoria de recrutamento, que ouviu 2.834 pessoas no Brasil, 73% dos candidatos disseram usar inteligência artificial na busca por emprego, para revisar a linguagem, adaptar o currículo e resumir competências. Do lado das empresas, 55% dos gestores de contratação usam IA para melhorar descrições de vaga e montar perguntas de entrevista. O currículo que se destaca não é o mais bem escrito pela máquina. É o que traz fatos e resultados que só você tem.
Escrito para o emprego anterior
Escrito para a vaga aberta hoje
Na prática, a reescrita tem quatro passos:
Um item, antes e depois (troque o que está entre colchetes pelos seus números):
Antes
• Responsável pelas compras de matéria-prima e pelo relacionamento com fornecedores.
Depois
• Renegociei os contratos dos [x] principais fornecedores de matéria-prima e reduzi o custo
da categoria em [y] no ano, sem atraso de entrega.
Antes de mandar, vale ver se o seu currículo tem as palavras da vaga: você envia o currículo, cola o anúncio e vê a nota dele para aquela vaga e as palavras que faltam. O guia de como fazer um currículo profissional mostra a reescrita seção por seção, para quem já tem carreira.
O LinkedIn entra junto. Numa pesquisa do Canva, empresa de design on-line, feita pela Sago com 4.200 gerentes de contratação e 6.000 candidatos em dez países, entre eles o Brasil, 83% dos gerentes de contratação brasileiros disseram verificar o perfil do candidato no LinkedIn. Se o seu título ainda diz o cargo da empresa antiga, ou diz só “em busca de oportunidades”, ele trabalha contra o currículo novo. Dá para ver o que a vaga pede e onde isso aparece no seu perfil antes de mexer.
Busca sem horário vira busca o dia inteiro, e busca o dia inteiro cansa sem render. O contrário também acontece: sem rotina, a semana passa entre tarefas da casa e uma ou outra candidatura à noite. A saída é tratar a busca como um trabalho de meio período, com começo e fim.
A divisão abaixo é um ponto de partida para quem está sem emprego, não uma regra. Ajuste ao seu momento. Se você ainda está empregado ou cumprindo o aviso, corte tudo pela metade e use as horas da redução de jornada.
| Bloco | Horas por semana (sugestão) | O que entra |
|---|---|---|
| Escolher vagas | 3 | Ler anúncios do alvo, separar os que valem candidatura, anotar as palavras que se repetem |
| Ajustar e candidatar | 8 | Ajustar o resumo e os itens do currículo a cada vaga, preencher o cadastro com calma, enviar |
| Contato direto | 4 | Mensagens para ex-colegas, ex-chefes, fornecedores e clientes; respostas a recrutadores |
| Treino de entrevista | 3 | Contar em voz alta as histórias de resultado, preparar a resposta sobre a saída e a de salário |
| Conta e revisão | 1 | Atualizar a planilha e ver em que etapa as candidaturas param |
Repare que enviar candidatura é só uma parte. Quem passa o tempo todo enviando currículo sem ajustar tende a ver as candidaturas pararem logo na primeira seleção, e a semana termina sem nenhuma informação nova.
Onde procurar também se divide. Os sites de vagas e as páginas de carreira das empresas trazem volume. As consultorias de recrutamento e o headhunter, o recrutador de consultoria que a empresa contrata para achar candidatos, trabalham com vagas de nível mais alto e chegam até você pelo LinkedIn ou por indicação. E o contato direto com quem já trabalhou com você é o canal que mais depende de você: uma mensagem curta dizendo o que você busca e pedindo para lembrarem de você se souberem de algo. É um canal entre outros, não o plano inteiro.
Um cuidado com o contato direto: peça informação, não emprego. “Você sabe como a área de compras da sua empresa está contratando?” abre mais conversa do que “tem vaga para mim?”. E responda a todo recrutador que escrever, mesmo quando a vaga não serve: ele pode ter a próxima.
A falta de retorno também entra no cálculo. Numa pesquisa da Vagas.com, site de vagas, com 2.827 participantes convidados pelos canais do próprio site em 2025, a falta de retorno das empresas foi a principal reclamação de quem procura emprego por plataformas, citada por 31%. O silêncio é comum e não diz nada sobre você. Por isso a planilha conta o retorno como uma etapa: o silêncio também é um dado.
Esta é a parte que transforma a busca em algo que você consegue corrigir. Todo processo seletivo é uma sequência de etapas, e em cada uma algumas candidaturas ficam para trás. Se você anotar quantas passam de uma etapa para a outra, descobre onde a sua busca trava, e cada trava pede uma mudança diferente.
A planilha precisa de poucas colunas:
• Data da candidatura
• Empresa e vaga
• Onde achou (site, página da empresa, contato, recrutador)
• Versão do currículo usada
• Retorno (sim ou não, e de quem)
• Entrevista (sim ou não, com quem)
• Resultado (proposta, recusa, sem resposta)
Depois de três ou quatro semanas, conte quantas candidaturas viraram retorno, quantas viraram entrevista e quantas chegaram a proposta. Com poucas candidaturas, os números variam muito de uma semana para outra, então olhe a soma do mês, não a semana.
Este é um exemplo inventado, para mostrar como a conta funciona. Não é um caso real nem a média do mercado.
Uma coordenadora de compras de 42 anos foi desligada numa reestruturação, depois de oito anos na mesma indústria. Nos dois primeiros meses, mandou candidatura para tudo o que tinha “compras” no título: analista, coordenação, gerência, comercial e até logística, sempre com o mesmo currículo, que abria com a lista de responsabilidades do último cargo. Quando montou a planilha, a conta ficou assim:
Das 48 candidaturas, só 4 tiveram algum retorno, menos de 1 em cada 10. Das 4, duas viraram entrevista, e as duas eram vagas de coordenação de compras em indústria, o cargo que ela tinha. Nenhuma virou proposta. A maior queda está no primeiro degrau, entre a candidatura e o retorno. É ali que ela mexe primeiro.
O que ela muda, uma coisa por vez. Primeiro o alvo, que passa a ser só coordenação de compras em indústria, presencial ou híbrido na região dela, com um piso de salário escrito. Depois o currículo: um resumo que diz o cargo buscado, os itens do último emprego reescritos como resultados (contratos renegociados, prazo de entrega, fornecedores novos homologados) e as palavras que se repetiam nos anúncios. Ela passa a mandar menos candidaturas, cada uma ajustada, e a conferir a nota do currículo para cada vaga antes de enviar. Em paralelo, escreve para três ex-fornecedores e dois ex-colegas que hoje trabalham em outras indústrias.
Nas duas entrevistas que fez, ela percebeu outra coisa: travou na pergunta sobre a saída e falou demais da reestruturação. Isso ainda não é a trava principal, porque ela chega a poucas entrevistas, mas entra no treino da semana: a resposta sobre a saída em duas frases, e depois o que ela entrega.
Depois de um mês, ela compara a conta nova com a antiga. O resultado não está garantido. A diferença é que agora ela sabe o que fez, o que mudou e o que testar a seguir.
| Onde as candidaturas param | O que costuma estar por trás | O que mudar primeiro |
|---|---|---|
| Muitas candidaturas, quase nenhum retorno | Alvo largo demais, currículo do emprego anterior, cadastro incompleto, vagas fora do seu nível | Estreitar o alvo, reescrever o currículo com as palavras das vagas e conferir a nota antes de enviar |
| Retorno do RH, mas não passa da conversa inicial | Pretensão fora da faixa, saída mal explicada, distância entre o currículo e o que você conta | Preparar as respostas de salário e de saída em duas frases e alinhar a fala com o currículo |
| Chega à entrevista com o gestor e não avança | Respostas sem exemplo, pouco conhecimento da empresa, resultados que não aparecem na conversa | Preparar cinco histórias com resultado e treinar em voz alta |
| Chega à etapa final e perde | Concorrência apertada entre os últimos, detalhe de salário ou de data de início | Pedir retorno com educação, rever a última conversa e manter o ritmo |
Travado no primeiro degrau. É o caso de quem diz “mando, mando e ninguém chama”. O problema costuma ser o documento ou a escolha das vagas, não a sua carreira. Mais candidaturas com o mesmo currículo só aumentam a pilha de e-mails automáticos.
Travado na conversa com o RH. A conversa inicial, por telefone ou vídeo, costuma checar três coisas: se a sua faixa de salário cabe na vaga, se o motivo da saída é tranquilo e se você é a pessoa do currículo. Ensaiar essas três respostas é o primeiro passo.
Travado com o gestor. Aqui o currículo já fez o trabalho dele. Falta contar, falando, o que você fez: o problema, o que você decidiu e o resultado. As perguntas difíceis de quem já tem carreira, como a saída, o tempo parado e a pretensão, merecem resposta pronta, e o tema de entrevista de pleno a gerência reúne o que treinar.
Travado no fim. Perder na etapa final dói mais, mas é o melhor sinal da conta: você está entre os últimos candidatos. Peça retorno e não mude o que está funcionando.
Quem passou dos 40 costuma ouvir que a idade é o problema. Os números do IBGE pedem cuidado com essa conclusão. No 2º trimestre de 2026, a taxa de desocupação de quem tinha de 40 a 59 anos foi de 3,5%, abaixo da média nacional de 5,4% e da faixa de 25 a 39 anos, de 5,0%.
Como ler: Taxa menor não quer dizer busca mais curta: este dado não mede o tempo de procura por idade. E a taxa só conta quem está procurando; quem parou de procurar fica fora da conta.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua trimestral (SIDRA, tabela 4094), 2º trimestre de 2026
Isso não quer dizer que a busca fica fácil depois dos 40. O etarismo, o preconceito por causa da idade, existe, e a lei proíbe qualquer prática discriminatória por idade no acesso ao emprego. Mas o dado mostra que a idade, sozinha, não explica a busca inteira. Na prática, o que costuma atrapalhar quem tem carreira longa é o currículo que denuncia o tempo em vez de mostrar a entrega: três ou quatro páginas, datas dos anos 1990 e o primeiro emprego com o mesmo destaque do último.
Três ajustes ajudam:
Para quem passou dos 50 e sente a idade sendo lida antes da competência, o tema de carreira depois dos 50 reúne o que a lei diz e como mostrar o que você entrega.
O dinheiro decide o ritmo da busca mais do que qualquer outra coisa. Com a rescisão, o FGTS e o seguro-desemprego na mão, faça uma conta simples: quanto vai entrar, quanto sai por mês no essencial e quantos meses isso cobre. Esse número é o seu horizonte de busca sem aperto. Ele não é o prazo da recolocação. É o ponto a partir do qual você muda de estratégia de propósito, e não no desespero.
Duas decisões ficam mais fáceis com esse número escrito. A primeira é o piso de salário: com um horizonte longo, você pode esperar a vaga do seu nível por mais tempo do que com um curto. A segunda é o plano B: um trabalho por projeto, como PJ, uma consultoria pontual na sua área ou um degrau abaixo, definido antes, com data para começar se o horizonte encurtar.
Sobre o seguro, lembre que as parcelas acabam. Ele paga de 3 a 5 parcelas, conforme o tempo trabalhado, e o número que vale para você aparece quando faz o pedido. Não conte com mais do que ele mostrar, e não conte com a rescisão antes de ela cair na conta.
O ritmo também cuida da cabeça. Uma busca que dura meses cansa, e a falta de retorno cansa mais. Três hábitos ajudam: um horário fixo, com começo e fim; metas de processo em vez de resultado (dez candidaturas ajustadas, três histórias treinadas, a planilha atualizada na sexta); e pelo menos um dia por semana sem vaga nenhuma. Meta de resultado, como “estar empregado no mês que vem”, depende de empresa, mercado e sorte, e cada semana sem proposta vira fracasso mesmo quando você fez tudo certo.
Conte para as pessoas da casa o plano, não só o resultado. “Esta semana mandei oito candidaturas ajustadas e treinei a entrevista” responde ao “e aí, arrumou alguma coisa?” melhor do que um “ainda não”.
Se a busca passar a atrapalhar o sono, a alimentação ou a vontade de fazer as coisas por semanas seguidas, procure ajuda. O posto de saúde do SUS é a porta de entrada para o atendimento em saúde mental, e o CVV, Centro de Valorização da Vida, atende de graça e a qualquer hora pelo telefone 188.
Para o passo 4, o mural reúne vagas abertas de pleno a gerência. Para o passo 5, antes de mandar a primeira candidatura nova, compare o seu currículo com o anúncio da vaga e veja a nota e as palavras que faltam. O resto do plano depende só de você, e começa pelo calendário.
Não existe prazo certo, e vale desconfiar de quem promete um. Pelos dados do IBGE do 2º trimestre de 2026, 28,8% das pessoas que procuravam trabalho sem conseguir estavam nessa busca havia 1 ano ou mais; o restante procurava havia menos tempo. O que encurta a busca é o que depende de você: um alvo claro de cargo e salário, o currículo reescrito para cada vaga e a conta mensal de onde as candidaturas param.
Antes de mandar currículo, cuide dos prazos. A empresa tem até 10 dias, contados do fim do contrato, para pagar as verbas rescisórias (saldo de salário, férias, 13º proporcional e aviso) e entregar os documentos. O seguro-desemprego pode ser pedido a partir do 7º dia depois da demissão e até 120 dias depois dela. Para o seu caso, confira o termo de rescisão com o sindicato da categoria ou com um advogado trabalhista.
Comece pelo dado, não pelo medo. No 2º trimestre de 2026, a taxa de desocupação de quem tinha de 40 a 59 anos, a parcela dos que procuram trabalho sem conseguir, foi de 3,5%, abaixo da média do país, de 5,4%, segundo o IBGE. O que costuma atrapalhar é o currículo que conta décadas em vez de resultados recentes. Mostre os últimos anos com entregas concretas e escolha vagas do seu nível.
Não existe número certo, e mandar mais do mesmo costuma só aumentar a pilha de recusas. Mande menos, escolhidas pelo seu alvo de cargo e salário e com o currículo ajustado a cada anúncio. Anote todas numa planilha. Depois de algumas semanas, a conta de quantas viraram retorno, entrevista e proposta mostra se o problema está na quantidade, no currículo ou na conversa.
Pode valer, se for decisão e não pressa. Faça a conta de quantos meses a sua reserva cobre, defina antes um piso de salário e saiba dizer por que o degrau abaixo serve: empresa melhor, área que você quer, caminho de volta ao nível anterior. Sem esse motivo escrito no currículo, a candidatura para um cargo abaixo costuma ser lida como de quem vai sair na primeira proposta melhor.
Sem rodeio e sem pedir desculpa. Basta a data de saída e, se fizer sentido, o motivo em poucas palavras, como reestruturação da área. Se você fez curso, projeto ou trabalho por conta nesse período, ele entra como experiência. Na entrevista, responda em duas frases e volte para o que você entrega na vaga. Tempo de busca é comum e não precisa dominar a conversa.
É melhor não. Quando a empresa usa um sistema de recrutamento (o programa que recebe e organiza as candidaturas), ele e o recrutador comparam o seu currículo com o anúncio. O currículo escrito para o emprego anterior fala a língua de lá. Tenha uma versão para cada alvo de cargo e ajuste o resumo e os primeiros resultados com as palavras de cada vaga antes de enviar.
Por Equipe Meu Próximo Sim. Quem escreve o blog do Meu Próximo Sim: artigos para quem já trabalhou e está procurando a próxima vaga, com fonte aberta em cada número.

O que fazer depois de ser demitido: o que perguntar na reunião, o que pedir por escrito, o plano de saúde, os prazos e o que não fazer na primeira semana.

Como fazer um currículo profissional com anos de carreira: resumo, resultado por cargo, tamanho certo, sinais de idade e o ajuste para cada vaga.

Direitos na demissão sem justa causa: verbas, aviso prévio, multa e saque do FGTS, seguro-desemprego, os prazos de cada um e o que conferir no termo.