
Como se recolocar no mercado de trabalho: o plano da busca
Como se recolocar no mercado de trabalho: prazos da primeira semana, alvo de cargo e salário, currículo para a vaga e a conta de onde a busca para.
O que fazer depois de ser demitido: o que perguntar na reunião, o que pedir por escrito, o plano de saúde, os prazos e o que não fazer na primeira semana.

Este artigo faz parte do guia Como se recolocar no mercado de trabalho: o plano da busca.
O que fazer depois de ser demitido: na primeira semana, cuide dos prazos e dos papéis antes do currículo. No dia da demissão, pergunte o tipo de saída e peça tudo por escrito; nos dias seguintes, guarde documentos, decida o plano de saúde, confira o termo de rescisão e só depois comece a busca. O que mais custa caro nessa semana é decidir no susto.
Este é o roteiro dia a dia, para quem foi desligado agora, numa demissão sem justa causa, a demissão comum, por decisão da empresa. Ele não repete a explicação inteira de cada verba: os valores, o aviso e o FGTS estão no guia de direitos na demissão sem justa causa, e o plano da busca que vem depois está no guia de como se recolocar no mercado de trabalho. Aqui está a ordem: o que fazer em cada dia, o que pedir, o que guardar e o que não fazer.
A ordem curta, para salvar no celular:
A lógica é simples. Os prazos da lei têm data e, se passarem, você perde dinheiro que vai sustentar a busca. O currículo pode esperar alguns dias; o prazo, não. E quase tudo o que dá errado nessa semana vem de duas coisas: assinar ou aceitar algo sem entender e falar no impulso, em público ou com o antigo chefe.
Se você ainda vai trabalhar o aviso, o roteiro vale do mesmo jeito, com uma vantagem: durante o aviso dado pela empresa, a jornada cai 2 horas por dia sem desconto no salário, ou você troca essa redução por 7 dias corridos sem trabalhar, no aviso de 30 dias. Essas horas existem para a busca. Use-as.
A reunião costuma ser curta e você vai sair dela com menos informação do que precisa. Ninguém espera que você esteja calmo, mas quatro perguntas, feitas com educação, evitam dor de cabeça depois. Se não der para perguntar na hora, mande por e-mail ao RH no mesmo dia.
Qual é o tipo de saída? Demissão sem justa causa, acordo ou outra. Isso muda o que você recebe. Na demissão por acordo, por exemplo, você recebe metade do aviso indenizado e metade da multa do FGTS (20%), pode sacar até 80% do FGTS e não tem direito ao seguro-desemprego. Se a empresa propuser acordo, não responda na hora: peça a proposta por escrito e leve ao sindicato.
Qual é a data de término do contrato? É dela que contam os 10 dias que a empresa tem para pagar as verbas rescisórias (o que ela tem de pagar na saída: saldo de salário, férias, 13º proporcional e aviso) e entregar os documentos.
O aviso é trabalhado ou pago? No aviso prévio indenizado, a empresa dispensa você de trabalhar o período e paga por ele. O tamanho do aviso cresce com o tempo de casa: a cada ano de serviço na mesma empresa, ele ganha mais 3 dias, até o total de 90 dias. O número do seu caso vai aparecer no termo.
E o plano de saúde? Pergunte se você pode continuar no plano, como optar e até quando. A resposta tem lei por trás, e a seção sobre plano de saúde, mais abaixo, explica.
Uma última coisa da reunião: não discuta o motivo. Se houver algo injusto, você vai tratar disso com calma, por escrito, com o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista, e não na sala, com a voz alterada.
O acesso ao e-mail e aos sistemas da empresa pode ser cortado no próprio dia da demissão. O que é seu precisa sair antes disso, pelos caminhos certos.
Peça por escrito ao RH, por e-mail, e guarde as respostas:
Guarde o que é seu: os últimos contracheques, o informe de rendimentos (você vai precisar dele na declaração do Imposto de Renda), as avaliações de desempenho que recebeu, os certificados de cursos feitos pela empresa e os seus contatos pessoais. Anote também, num papel seu, os resultados que você entregou, com número quando tiver: eles vão virar as linhas mais fortes do seu currículo.
Não leve o que é da empresa. Planilhas, apresentações, listas de clientes e e-mails internos são da empresa, mesmo que você tenha feito. Copiar esse material para o seu computador pode virar problema numa saída que até ali era tranquila. Os resultados, você anota com as suas palavras.
No impulso
Com método
Entre os prazos da semana, o do plano de saúde é fácil de esquecer, e pode ser o que mais pesa no orçamento. Pela Lei 9.656, quem é demitido sem justa causa e contribuía para o plano de saúde da empresa pode continuar no plano, com a mesma cobertura, desde que assuma o pagamento integral, ou seja, a sua parte e a que a empresa pagava. O direito vale para a família que estava inscrita no plano e acaba quando você for contratado em novo emprego.
24 mesesé o máximo de permanência; o mínimo é de 6 meses e a regra é um terço do tempo em que você ficou no plano
Como ler: Vale para quem pagava uma parte da mensalidade do plano, não só a coparticipação, e acaba antes se você for contratado em novo emprego. Para o seu caso, confirme com o RH e com a operadora.
Três cuidados práticos:
Se você tem tratamento em andamento, dependentes no plano ou idade em que um plano novo custa caro, essa decisão costuma valer mais do que muita verba da rescisão. Não deixe para o fim do mês.
Passado o primeiro dia, a semana vira uma lista de conferência. Os detalhes de cada direito estão no guia de direitos na demissão sem justa causa; aqui vai o calendário.
O dinheiro do mês (dia 2). Antes de qualquer valor da rescisão cair, some o que deve entrar, liste o gasto essencial do mês e veja quantos meses isso cobre. Essa conta decide o ritmo da busca e até onde você aceita negociar salário. Este artigo não calcula a sua rescisão nem o seu seguro: eles dependem do contrato, do salário e da convenção da sua categoria.
O termo de rescisão (dias 2 e 3). O TRCT, Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, lista o tipo de saída, a data de término e o que a empresa vai pagar. Leia antes de assinar. Se uma linha faltar ou algo não bater, peça a correção por escrito e leve uma cópia ao sindicato.
O pagamento (até 10 dias do término). A empresa tem até 10 dias, contados do fim do contrato, para pagar e entregar os documentos. Se atrasar, a lei prevê uma multa no valor de um salário seu, salvo quando o próprio trabalhador causou o atraso.
O FGTS (dias 3 e 4). Na demissão sem justa causa, a empresa deposita uma multa de 40% sobre os depósitos do contrato e você pode sacar o saldo. A exceção é quem aderiu ao saque-aniversário, a modalidade em que você saca uma parte do saldo todo ano, no mês do aniversário: nesse caso, você recebe a multa, mas não saca o saldo pela demissão. Abra o aplicativo do FGTS e confira a sua modalidade antes de contar com esse dinheiro.
O seguro-desemprego (do 7º dia em diante). Tem direito quem foi dispensado sem justa causa e cumpre os requisitos da lei, como o tempo mínimo de salários recebidos. O pedido pode ser feito a partir do 7º dia contado da demissão e até 120 dias depois dela. Não deixe para o fim do prazo: peça assim que tiver os documentos da rescisão.
Para o seu caso, confira o termo com o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista. Eles fazem a conta; o seu papel na semana é anotar datas, ver se cada direito aparece e guardar as respostas por escrito.
A primeira semana é a pior hora para decisões que ficam. Quatro coisas para segurar:
Não poste sobre a empresa. Um desabafo no LinkedIn ou em outra rede fica no ar, é encaminhado e pode ser lido por quem vai entrevistar você daqui a um mês. Se quiser contar que está procurando, espere ter o currículo e o título do perfil prontos e fale do que você busca, não de quem demitiu.
Não mande a mensagem ao antigo chefe. Nem a de raiva, nem a de pedido para voltar. Se quiser manter a porta aberta, uma mensagem curta de agradecimento, alguns dias depois, faz mais por você. Ex-chefe pode ser chamado para dar referência.
Não aceite a primeira proposta por medo. A conta do dinheiro do mês diz quanto tempo você tem. Com ela na mão, uma vaga abaixo do seu nível pode ser decisão, mas deixa de ser pânico.
Não mande o currículo antigo para dezenas de vagas. Ele foi escrito para o emprego anterior. A triagem, a primeira seleção, quando a empresa decide quem segue no processo, pode passar por um sistema que compara o currículo com o anúncio. Antes de mandar, veja se o seu currículo tem as palavras da vaga que você quer.
Este é um exemplo inventado, para mostrar a ordem da semana. Não é um caso real nem um modelo de cálculo.
Paulo tem 44 anos e é gerente de projetos numa empresa de engenharia, onde trabalhou cinco anos. Numa quinta-feira à tarde, numa reunião de quinze minutos, o RH comunica a demissão sem justa causa, com aviso pago. Ele paga uma parte do plano de saúde, que cobre a mulher e a filha.
| Dia | O que Paulo fez | Por quê |
|---|---|---|
| Quinta, na reunião | Perguntou o tipo de saída, a data de término e o plano de saúde. Não discutiu o motivo. | As três respostas mudam o que ele recebe e quando |
| Quinta, à noite | Mandou e-mail ao RH pedindo tudo por escrito. Salvou contracheques, informe de rendimentos e avaliações. Anotou os resultados dos projetos que liderou. | O acesso ao e-mail da empresa seria cortado no dia seguinte |
| Sexta | Somou o que vai entrar, listou o gasto essencial e pediu ao RH o valor integral do plano de saúde. | Sem a parte da empresa, a mensalidade sobe e entra na conta |
| Segunda | Leu o termo de rescisão em casa. Uma comissão de projeto não aparecia. Pediu a correção por e-mail e levou a cópia ao sindicato. | Assinar sem ler era a decisão mais cara da semana |
| Terça | Abriu o aplicativo do FGTS: não estava no saque-aniversário, então poderá sacar o saldo e ver a multa depositada. Optou por ficar no plano de saúde. | Conferiu antes de contar com o dinheiro |
| Quinta seguinte (dia 7) | Viu que a janela do seguro-desemprego abriu. Vai pedir assim que receber os documentos da rescisão, que a empresa tem até 10 dias do término para entregar. | Pedir cedo, longe do limite de 120 dias |
| Sexta seguinte | Escreveu o alvo: gerente de projetos ou coordenador sênior, em engenharia ou infraestrutura, com piso de salário definido. Começou a reescrever o currículo. | Só agora a busca começa |
O que o exemplo mostra: Paulo não fez nenhuma conta de valor e não mandou nenhum currículo na primeira semana. Ele protegeu datas e dinheiro, guardou o que era dele e deixou para a segunda semana a parte que exige cabeça fria. Nenhum desses passos garante a próxima vaga, mas todos evitam perder o que já era dele.
Na segunda semana, com os prazos em dia. Começar com método conta mais do que começar no primeiro dia.
O plano completo da busca, com as horas por semana e a conta de onde as candidaturas travam, está no guia de como se recolocar no mercado de trabalho. Outros artigos sobre essa fase ficam no tema recolocação.
Anote a data e o tipo da demissão e peça por escrito, no mesmo dia, a comunicação da dispensa e a confirmação de que o aviso é trabalhado ou pago. Não assine nada na pressa e não poste nada. A empresa tem até 10 dias do fim do contrato para pagar a rescisão, e o seguro-desemprego pode ser pedido a partir do 7º dia depois da demissão. O resto da semana é para conferir, guardar documentos e decidir com calma.
Não precisa decidir no susto. Peça o termo para ler, confira o tipo de demissão, a data de término e se todas as linhas de pagamento aparecem. Se algo estiver errado ou faltar, peça a correção por escrito ao RH e leve uma cópia ao sindicato da categoria ou a um advogado trabalhista antes de assinar. Pedir tempo para conferir um documento que mexe com o seu dinheiro é normal.
Não necessariamente. Pela Lei 9.656, quem contribuía com uma parte do plano de saúde da empresa pode continuar nele, com a mesma cobertura, se assumir o pagamento integral. A permanência dura um terço do tempo em que você ficou no plano, com mínimo de 6 meses e máximo de 24 meses, vale para a família inscrita e acaba se você for contratado em novo emprego. Pergunte ao RH, por escrito, como e até quando optar.
Pode contar, mas não na primeira semana e nunca no calor da hora. Antes, ajuste o título do perfil para o cargo que você quer agora e reescreva o currículo. Quando postar, fale do que você procura e do que entrega, sem falar da empresa nem do motivo da saída. Um post escrito com raiva fica no ar e pode ser lido por quem vai entrevistar você.
Na segunda semana, com os prazos em dia e o currículo revisto. Mandar o documento antigo para dezenas de vagas no dia seguinte costuma gerar recusas que não ensinam nada. Use a primeira semana para escolher o cargo e a faixa de salário que você procura e para ajustar o currículo às vagas abertas hoje.
Por Equipe Meu Próximo Sim. Quem escreve o blog do Meu Próximo Sim: artigos para quem já trabalhou e está procurando a próxima vaga, com fonte aberta em cada número.

Como se recolocar no mercado de trabalho: prazos da primeira semana, alvo de cargo e salário, currículo para a vaga e a conta de onde a busca para.

Direitos na demissão sem justa causa: verbas, aviso prévio, multa e saque do FGTS, seguro-desemprego, os prazos de cada um e o que conferir no termo.

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