
O que fazer depois de ser demitido: a primeira semana, dia a dia
O que fazer depois de ser demitido: o que perguntar na reunião, o que pedir por escrito, o plano de saúde, os prazos e o que não fazer na primeira semana.
Emprego depois dos 50: o que a lei diz sobre idade, os números do IBGE e do etarismo, os sinais de idade no currículo e como responder na entrevista.

Emprego depois dos 50 existe, mas o caminho até a entrevista costuma travar num ponto específico: a triagem, a primeira seleção, quando a empresa decide quem segue no processo. É ali que datas antigas, um currículo de quatro páginas e ferramentas que ninguém usa mais são lidos antes do que você entrega. Este guia junta o que a lei diz sobre discriminação por idade, os números oficiais e as pesquisas sobre o assunto, os sinais de idade que o currículo carrega sem você querer e como responder às perguntas que miram a idade na entrevista.
Não há promessa aqui. Há o que dá para controlar: como o currículo se apresenta, onde você se candidata, o que você responde e como três décadas de trabalho viram argumento para a vaga de hoje, e não peso. No fim, uma lista curta do que fazer esta semana.
Comece pelo dado mais citado e mais mal lido. O IBGE mede a desocupação, que é procurar trabalho e não conseguir, na pesquisa de emprego do IBGE que sai todo trimestre (a PNAD Contínua). De abril a junho de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,0% entre quem tem de 25 a 39 anos, de 3,5% entre quem tem de 40 a 59 anos e de 2,3% entre quem tem 60 anos ou mais. A média do país, no mesmo período, foi de 5,4%.
Como ler: A taxa não mede quanto tempo a busca leva, se a vaga nova paga o mesmo que a antiga nem quantas pessoas desistiram de procurar: quem para de procurar sai da conta. Taxa menor não quer dizer busca mais fácil.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua trimestral (SIDRA, tabela 4094), 2º trimestre de 2026
Ou seja: depois dos 40, a taxa é menor que a da faixa de 25 a 39 anos, e depois dos 60 é menor ainda. Isso é verdade e vale dizer com todas as letras, porque muito texto sobre o assunto começa pelo contrário. Mas a taxa responde a uma pergunta só: entre as pessoas da faixa que trabalham ou procuram trabalho, quantas estavam procurando sem conseguir naquele trimestre.
O que ela não responde é justamente o que mais pesa para quem está procurando agora:
Por isso a taxa não prova que é mais fácil, nem que é mais difícil, arrumar emprego depois dos 50. Ela diz que, na comparação com os mais jovens, uma parte menor da faixa estava procurando sem conseguir. Para quem está nessa parte, o número que dá a escala é outro: cerca de 1,5 milhão de pessoas de 40 a 59 anos e 209 mil pessoas de 60 anos ou mais estavam desocupadas no mesmo trimestre. Não é pouca gente, e não é um problema só seu.
O outro número que aparece em reportagem é o do Novo Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o registro oficial das contratações e demissões com carteira assinada. Ele mostra o saldo de empregos, que é o número de contratações menos as demissões com carteira no período. Em agosto de 2026, o saldo foi de 128.997 vagas para quem tem até 24 anos e de cerca de 36,8 mil vagas para quem tem 25 anos ou mais, perto de 22% do saldo do mês.
Duas leituras cuidadosas. A primeira: a nota oficial do Caged não separa quem tem 50 anos ou mais. As faixas dela são até 24 anos e 25 anos ou mais, então ninguém pode usar esse número para dizer quantas vagas foram para quem passou dos 50. A segunda: saldo é uma diferença. Uma faixa pode ter muitas contratações e muitas saídas no mesmo mês, e o saldo pequeno não quer dizer que não houve contratação. O que o dado mostra, sem exagero, é que o crescimento do emprego com carteira naquele mês ficou concentrado nos mais jovens. Para quem tem 50 ou mais, isso reforça uma coisa prática: a disputa é por vagas que já existem, e passar pela triagem conta mais do que esperar o mercado abrir.
Etarismo é o preconceito por causa da idade, e ele raramente aparece escrito. Aparece como “buscamos um perfil mais dinâmico”, como a pergunta sobre quantos anos você ainda pretende trabalhar ou como o silêncio depois de uma candidatura que combinava com a vaga. Na pesquisa Talent Trends 2025 da Michael Page, consultoria de recrutamento, 41% dos profissionais brasileiros disseram já ter sofrido etarismo ao longo da carreira, acima da média global, de 36%, e da América Latina, de 35%. Essa pesquisa foi feita em novembro e dezembro de 2024 com cerca de 50 mil profissionais em 36 países, de todas as idades.
Entre quem já passou dos 50, o número é maior. Uma pesquisa on-line da Rhopen, consultoria de recursos humanos, com a Maturi, organização que trabalha com diversidade etária no Brasil, ouviu 439 profissionais 50+ entre julho e novembro de 2025. Deles, 57% disseram já ter sofrido discriminação por idade em processos seletivos, e um em cada cinco disse já ter escondido a idade para aumentar a chance de ser contratado. A mesma pesquisa ouviu 114 lideranças de RH: 94% das empresas não têm metas de inclusão de profissionais 50+, e 84% não têm política formal de diversidade etária.
57%dos profissionais 50+ dizem já ter sofrido discriminação por idade em processos seletivos
Um em cada cincoprofissional 50+ diz já ter escondido a idade para ter mais chance de ser contratado
41%dos profissionais brasileiros, de todas as idades, dizem já ter sofrido etarismo na carreira
94%das empresas ouvidas não têm meta de inclusão de profissionais 50+
Como ler: São pesquisas e amostras diferentes, com perguntas diferentes: não some nem compare os números entre si. A da Rhopen e da Maturi ouviu 439 profissionais 50+ e 114 lideranças de RH pela internet e não representa todo o país; a da Michael Page ouviu cerca de 50 mil profissionais em 36 países.
Fonte: Rhopen e Maturi, pesquisa com 439 profissionais 50+, citada por Viva (Estadão); Michael Page, Talent Trends 2025, citada por Diário do Comércio; Rhopen e Maturi, pesquisa com 114 lideranças de RH, citada por Viva (Estadão)
Um cuidado na leitura: a amostra, o grupo de pessoas que cada pesquisa ouviu, é diferente em cada uma. A da Michael Page ouviu profissionais de todas as idades em vários países. A da Rhopen e da Maturi ouviu só quem tem mais de 50, pela internet, e uma pesquisa on-line respondida por quem quis responder pode atrair mais quem se importa com o tema. Os números não se somam e não se comparam. O que eles mostram juntos é que a sensação de ser lido pela idade antes da competência não é coisa da sua cabeça: ela aparece em levantamentos diferentes, feitos de jeitos diferentes.
O que fazer com isso? Duas coisas. A primeira é não transformar toda recusa em prova de etarismo, porque muita candidatura para por motivos que você pode mexer: currículo escrito para o emprego anterior, vaga de outro nível, palavras do anúncio que não aparecem no texto. A segunda é tirar do currículo e da conversa o que convida o preconceito a entrar antes da hora, sem esconder fato nenhum. As próximas seções fazem as duas.
A lei brasileira proíbe a discriminação por idade no emprego, e isso vale para qualquer idade, não só depois dos 60. A Lei nº 9.029, de 1995, proíbe qualquer prática discriminatória por idade, entre outros motivos, para o acesso ao emprego ou para a manutenção dele. Acesso é a seleção. Manutenção é o emprego que você já tem: a regra cobre também quem é desligado por causa da idade.
Para quem tem 60 anos ou mais, há uma camada a mais. Pelo Estatuto da Pessoa Idosa, é pessoa idosa quem tem 60 anos ou mais, e o artigo 27 diz que, na admissão da pessoa idosa em qualquer trabalho ou emprego, são proibidos a discriminação e o limite máximo de idade, inclusive em concursos, salvo quando a natureza do cargo exigir. Entre 50 e 59 anos, o Estatuto ainda não se aplica, mas a Lei nº 9.029 sim.
E se a discriminação acontecer na demissão, a mesma lei prevê o que a pessoa pode pedir: reparação por dano moral e a escolha entre a reintegração, com ressarcimento do período afastado, ou o recebimento em dobro da remuneração desse período.
| Situação | O que a lei diz | Onde está |
|---|---|---|
| Seleção que corta por idade, em qualquer idade | Proíbe prática discriminatória por idade no acesso ao emprego | Lei nº 9.029, art. 1º |
| Admissão de quem tem 60 anos ou mais | Proíbe discriminação e limite máximo de idade, salvo quando a natureza do cargo exigir | Estatuto da Pessoa Idosa, art. 27 |
| Demissão por ato discriminatório | Reparação por dano moral e escolha entre reintegração com ressarcimento ou remuneração em dobro do período afastado | Lei nº 9.029, art. 4º |
Na prática, a lei não obriga ninguém a contratar você. Ela proíbe que a idade seja o motivo do corte. E provar o motivo é a parte difícil, porque quase nenhuma empresa escreve isso. Por isso o registro importa: se um anúncio, um e-mail ou uma mensagem de recrutador citar a idade como motivo, faça uma captura da tela com a data, guarde o nome da empresa e da vaga e anote quem disse o quê. Com isso na mão, o sindicato da sua categoria ou um advogado trabalhista consegue dizer se o seu caso tem caminho. Não decida sozinho, nem no calor da recusa.
Se você foi desligado depois de muitos anos na mesma empresa, confira também a rescisão antes de pensar no próximo emprego. Um exemplo de regra que pesa para quem tem carreira longa: a cada ano de serviço na mesma empresa, o aviso prévio ganha mais 3 dias, até o total de 90 dias. O guia de direitos na demissão sem justa causa explica o que entra na conta da demissão comum, por decisão da empresa, e os prazos de cada etapa. Para o seu caso, confira com o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista.
O currículo conta a sua idade mesmo quando você não escreve a idade nele, e quem faz a triagem faz a conta depressa. Nenhum desses sinais é mentira, e nenhum deles é obrigatório. Cada item abaixo é uma escolha sua, para decidir com calma o que merece o espaço do currículo.
O ano de formatura da graduação, do curso técnico ou do segundo grau é o sinal mais direto: quem lê soma uns vinte anos e chega à sua idade. O primeiro emprego da carreira, listado com o ano, faz o mesmo. Não ponha data errada nunca. Mas você pode listar a formação sem o ano de conclusão e resumir os empregos mais antigos numa linha de “experiência anterior”, com empresa e cargo, sem detalhar cada um. Nada some; só muda o que ocupa o espaço.
Programas que não são mais usados, versões antigas de sistema, “domínio do pacote Office” e “conhecimento de internet” dizem duas coisas ao mesmo tempo: a sua idade e que você parou de se atualizar, mesmo quando não parou. Liste as ferramentas que você usa hoje, no nome que o anúncio usa. Se a vaga pede uma ferramenta que você usou pouco, diga em que você a usou, em vez de inflar o nível. E se faz tempo que você não aprende algo novo da sua área, essa é a semana de começar, porque a pergunta sobre atualização vai vir na entrevista.
Um currículo de quatro páginas, com cada emprego desde o primeiro detalhado no mesmo peso, diz “carreira longa” antes de dizer “resultado”. Duas páginas costumam bastar para quem tem carreira, com os últimos 10 a 15 anos detalhados, porque é isso que a vaga de hoje compara. O resto pode entrar resumido. Se você tem dúvida sobre a ordem das seções e o tamanho, o guia de como fazer um currículo profissional quando você já tem carreira mostra cada parte.
Data de nascimento, estado civil, número de filhos, CPF e foto não ajudam a empresa a avaliar se você resolve o problema da vaga. Pode tirar. Vale olhar também o e-mail: um endereço de provedor antigo ou com o ano de nascimento no meio é um sinal pequeno, mas é um sinal. Um e-mail simples, com nome e sobrenome, resolve.
A frase que parece o maior trunfo costuma ser o primeiro filtro. Ela fala de tempo, e a vaga está procurando resultado. Troque o tempo pelo que esse tempo produziu: “gerente de operações com experiência em indústria de alimentos, reestruturação de equipes e redução de custo de manutenção”. A experiência continua lá, só que agora ela diz o que você entrega.
Mostra a idade primeiro
Mostra a entrega primeiro
Um limite claro separa escolha de esconderijo. Escolha é decidir o que entra no currículo, que é um resumo e não uma certidão. Esconderijo é mudar datas, apagar um emprego que a vaga vai perguntar ou mentir num formulário que pede a data de nascimento. A pesquisa da Rhopen com a Maturi mostra que um em cada cinco profissionais 50+ diz já ter escondido a idade; o que este guia propõe é outra coisa: não deixar a idade ser a primeira informação, sem negar nenhuma.
Para saber se o seu currículo já faz isso para uma vaga real, dá para ver a nota do seu currículo e as palavras da vaga que faltam nele: você envia o arquivo, cola o anúncio e vê o que a vaga pede e ainda não aparece no texto.
A triagem tem duas camadas. A primeira, em muitas empresas, é o ATS, o sistema de recrutamento que a empresa usa para receber e organizar as candidaturas: ele guarda os currículos, permite buscar por palavra e, em alguns casos, ordena os candidatos pelo quanto o texto combina com a vaga. A segunda é a pessoa de RH ou o gestor, que costuma passar os olhos no topo do currículo antes de decidir se vale a pena ler o resto. Nas duas camadas, o que você controla é o mesmo: o texto precisa falar a língua da vaga logo no começo.
Isso quer dizer, na prática, que o currículo enviado para cada vaga não pode ser o mesmo arquivo de sempre. O cargo no topo deve ser o do anúncio, ou o mais perto dele que for verdade. O resumo deve repetir as duas ou três exigências principais da vaga com as suas palavras e um resultado. As experiências recentes devem trazer as palavras do anúncio onde elas forem verdadeiras.
Mandar o mesmo currículo para cinquenta vagas de níveis e áreas diferentes gasta energia e devolve recusas que não ensinam nada. Funciona melhor escolher menos vagas, mais perto do seu nível e da sua área, e ajustar cada candidatura. Vale olhar também empresas que já têm gente da sua idade na equipe (o LinkedIn mostra), consultorias que fazem projetos com prazo e vagas de interino ou de transição, em que a experiência é o que a empresa está comprando. O mural de vagas abertas de pleno a gerência reúne oportunidades para quem já tem carreira, e a ferramenta de vagas abertas em que o seu currículo tem mais chance mostra em quais delas o seu currículo mais combina e o que falta em cada uma.
Numa pesquisa do Canva, empresa de design on-line, feita pela empresa de pesquisa Sago com 4.200 gerentes de contratação e 6.000 candidatos em dez países, entre eles o Brasil, 83% dos gerentes de contratação brasileiros disseram verificar o perfil do candidato no LinkedIn. Os mesmos sinais de idade valem lá: foto muito antiga, título com um cargo de anos atrás, a seção Sobre contando a carreira em ordem cronológica desde o primeiro emprego. Um título com o cargo que você quer e duas ou três especialidades, uma foto recente e simples e um Sobre que começa pelo que você resolve fazem o perfil trabalhar a seu favor. Para conferir, dá para ver o que a vaga pede e onde isso aparece no seu LinkedIn.
Este é um exemplo inventado, para mostrar o método. Não é um caso real.
Pense num gerente de manutenção industrial de 57 anos, desligado depois de muitos anos na mesma fábrica de alimentos. Ele quer uma vaga de gerente ou coordenador de manutenção. O currículo dele tem quatro páginas e começa assim:
CARLOS (nome fictício)
Nascido em 05/03/1969, casado, 3 filhos
carlos1969@provedorantigo.com.br
OBJETIVO
Cargo na área de manutenção, onde possa aplicar meus mais de 30 anos de experiência.
FORMAÇÃO
Técnico em Mecânica, 1987
Engenharia Mecânica, 1994
EXPERIÊNCIA
1988 a 1991: Auxiliar técnico, metalúrgica (página inteira de atividades)
1991 a 1999: Técnico de manutenção (página inteira de atividades)
1999 a 2008: Supervisor de manutenção
2008 a 2025: Gerente de manutenção
Responsável pela manutenção da fábrica. Cuidava da equipe.
CONHECIMENTOS
Pacote Office, Lotus Notes, AutoCAD R14, internet
Quem faz a triagem lê, em poucos segundos: data de nascimento, um e-mail com o ano, “mais de 30 anos”, formação com ano, a carreira começando pelo auxiliar técnico e ferramentas de outra década. O que ele entregou nos últimos dezessete anos, que é o que a vaga de hoje compra, aparece na quarta página e em uma frase vaga.
O mesmo currículo, com as mesmas verdades, reorganizado:
CARLOS (nome fictício)
Gerente de Manutenção Industrial
Campinas, SP • telefone • carlos.souza@email.com • LinkedIn
RESUMO
Gerente de manutenção em indústria de alimentos, com gestão de equipes
de até 40 técnicos, manutenção preventiva e preditiva e redução de paradas
não programadas. Implantou plano de manutenção no SAP PM e indicadores
de disponibilidade acompanhados pela diretoria.
EXPERIÊNCIA
Gerente de Manutenção, fábrica de alimentos (2008 a 2025)
• Reduziu em cerca de um terço as paradas não programadas das linhas
de envase em dois anos, com plano preventivo e rotina de inspeção
• Implantou o SAP PM e treinou supervisores e técnicos para usá-lo
• Formou três supervisores que assumiram áreas da fábrica
• Negociou contratos de manutenção terceirizada e cortou custo sem
perder disponibilidade
Supervisor de Manutenção, mesma empresa (1999 a 2008)
• Coordenou a manutenção de duas linhas e a equipe do turno da noite
Experiência anterior: técnico de manutenção e auxiliar técnico
em metalurgia.
FORMAÇÃO
Engenharia Mecânica, nome da universidade
Técnico em Mecânica, nome da escola
FERRAMENTAS
SAP PM, Excel avançado, Power BI, AutoCAD
O que mudou, item por item. Saíram a data de nascimento, o estado civil e o e-mail com o ano. O objetivo genérico virou um título com o cargo da vaga e um resumo com o que ele entrega. A formação continua completa, só sem o ano. Os empregos do começo da carreira continuam no currículo, resumidos numa linha. As ferramentas são as que ele usa hoje; o AutoCAD ficou porque a vaga pede leitura de desenho técnico, e o Lotus Notes saiu porque ninguém pede mais. Os resultados ganharam verbo e tamanho, sem número inventado. E o currículo passou a ter duas páginas.
Nenhuma informação falsa entrou, e nenhuma verdadeira foi negada. Se a empresa perguntar a idade ou pedir a data de nascimento no formulário, ele responde. A diferença é que, quando isso acontecer, a pessoa que pergunta já leu o que ele fez.
Passar pela triagem leva a uma conversa, e nela a idade costuma aparecer disfarçada de outra pergunta. Vale treinar cada uma em voz alta antes, porque a resposta improvisada costuma sair defensiva, e a defensiva confirma o medo de quem pergunta.
| Pergunta | O que costuma estar por trás | Como responder |
|---|---|---|
| “Você não é qualificado demais para esta vaga?” | Medo de que você saia na primeira proposta melhor ou se entedie | Diga por que esta vaga faz sentido agora e o que você quer fazer nela nos próximos anos |
| “Como você lidaria com um gestor mais novo?” | Medo de que você não aceite ser liderado | Conte um caso real em que trabalhou bem com chefe ou cliente mais jovem |
| “Como você se mantém atualizado?” | Dúvida sobre ferramentas e métodos de hoje | Cite o que aprendeu nos últimos meses e onde já usou |
| “A faixa salarial é menor do que você ganhava. Tudo bem?” | Medo de que você custe caro ou saia por salário | Diga se a faixa cabe nas suas contas e o que pesa além do salário |
| “Quanto tempo você ainda pretende trabalhar?” | Medo de investir em alguém que vai se aposentar logo | Fale do plano para a vaga, não da aposentadoria |
“Você não é qualificado demais?” A pergunta não é sobre o seu currículo, é sobre o risco de você sair. Responda ao risco: “Eu escolhi esta vaga porque quero voltar a cuidar da operação de perto, que é o que eu faço melhor. Não estou procurando um cargo para passar o tempo; estou procurando um lugar para ficar e resolver o problema de disponibilidade que vocês descreveram.” Termine com algo concreto sobre os primeiros meses.
“Como você lidaria com um gestor mais novo?” Não diga “sem problema nenhum” e pare aí. Conte um caso: o diretor mais jovem com quem você trabalhou, o que aprendeu com ele e o que você levou para a relação. Quem pergunta quer imaginar a cena, e um caso real faz isso melhor que uma garantia.
“Como você se mantém atualizado?” Aqui a resposta só funciona se for verdade, e por isso a atualização começa antes da entrevista. Um curso curto sobre uma ferramenta que a vaga pede, um projeto em que você usou um sistema novo, um livro ou um grupo técnico da sua área. Diga o que é e onde já usou.
Sobre salário e tempo de carreira. Se a faixa do anúncio é menor do que você ganhava, decida antes da entrevista se ela cabe nas suas contas. Se cabe, diga isso sem pedir desculpa e explique o que pesa além do salário (a área, o tipo de desafio, a estabilidade). Se não cabe, é melhor saber agora. Sobre aposentadoria, você não precisa contar planos pessoais: fale do que quer fazer na vaga e por quanto tempo isso faz sentido para a empresa.
E se a pergunta for direta, “quantos anos você tem?”, responda com naturalidade e volte ao assunto que importa: “Tenho 57. E nos últimos anos o que eu mais fiz foi…” A resposta curta tira o peso da pergunta. Para as outras perguntas que travam quem já tem carreira, como a saída do último emprego e a lacuna no currículo, veja o guia das perguntas difíceis na entrevista de emprego.
Experiência longa só vira argumento quando responde a um problema da empresa. “Tenho muita experiência” não responde a nada. “Já vi esta crise três vezes e sei o que funcionou” responde.
O que os gestores dizem procurar ajuda a escolher o que destacar. No Talent Trends 2026 da Michael Page, que ouviu 2.834 pessoas no Brasil, as competências mais buscadas pelos gestores brasileiros foram comunicação (49%), adaptabilidade (48%) e habilidades interpessoais (45%). Repare que adaptabilidade está no meio da lista, e é justamente a qualidade que o preconceito de idade costuma negar a quem tem mais de 50. Ela precisa aparecer com prova: a mudança de sistema que você liderou, a fusão que você atravessou, a área nova que você aprendeu depois dos 45.
Alguns lugares em que a experiência costuma pesar a favor:
Há também caminhos que valorizam a experiência pelo formato: trabalho como consultor ou PJ por projeto, vaga de interino para cobrir uma saída, posição de especialista em vez de gestão, empresas menores que precisam de alguém que já resolveu o problema em empresa grande. Nenhum desses caminhos é garantido, e cada um tem regras próprias de contrato e de renda. Mas eles costumam ler a experiência como o produto que estão comprando, e não como um custo.
Procurar emprego depois dos 50 anos costuma levar mais tempo do que a pessoa espera, e a busca longa cansa. Organizar a rotina ajuda a não decidir no pior dia, nem aceitar a primeira proposta por desespero, nem parar de procurar depois de uma semana ruim.
Algumas práticas que costumam funcionar:
E um cuidado com a cabeça: depois dos 50, a recusa costuma ser lida como “o mercado me descartou”. Às vezes é etarismo, e a lei trata disso. Muitas vezes é o documento, a vaga ou o momento. Separar as duas coisas, com a planilha na mão, devolve a parte que depende de você.
Os outros artigos sobre carreira depois dos 50 ficam no tema 50+ e etarismo.
A resposta honesta tem duas partes. No 2º trimestre de 2026, a taxa de desocupação de quem tem de 40 a 59 anos foi de 3,5%, menor que os 5,0% de quem tem de 25 a 39, segundo o IBGE. Mas a taxa só mede quantos procuravam trabalho sem conseguir, não quanto a busca demora. E 57% dos profissionais 50+ ouvidos por uma pesquisa da Rhopen, consultoria de RH, com a Maturi dizem já ter sofrido discriminação por idade em seleções.
Pode tirar, e isso não é esconder nada. Data de nascimento, estado civil e documentos não ajudam a empresa a avaliar se você resolve o problema da vaga, então não precisam estar no currículo. O que não pode é mudar datas de emprego ou de formação. Se um formulário da empresa pedir a data de nascimento, preencha com a verdade.
Não pode usar a idade para discriminar. A Lei nº 9.029, de 1995, proíbe qualquer prática discriminatória por idade para o acesso ao emprego ou para a manutenção dele. Para quem tem 60 anos ou mais, o Estatuto da Pessoa Idosa proíbe também o limite máximo de idade na admissão, salvo quando a natureza do cargo exigir. Se você tiver registro de um corte por idade, guarde e leve a um advogado trabalhista.
Não há regra fixa. Um caminho comum é detalhar os últimos 10 a 15 anos, que é o que a vaga de hoje vai comparar, e resumir o começo da carreira em uma linha, com empresa e cargo. Assim nada some do currículo, mas o espaço vai para o que você entrega agora. A escolha é sua, e a regra é uma só: nenhuma data alterada.
Por trás da frase costumam estar três medos: que você saia na primeira proposta melhor, que custe caro ou que não aceite ser liderado. Responda aos três com fatos: por que esta vaga faz sentido para você agora, que a faixa do anúncio cabe nas suas contas e como você trabalhou bem com gestores de outras idades. Termine com o que você resolveria nos primeiros meses.
Confira primeiro a rescisão e guarde e-mails, mensagens e nomes de quem presenciou conversas. A Lei nº 9.029 diz que quem é demitido por ato discriminatório pode pedir reparação por dano moral e escolher entre a reintegração com ressarcimento do período afastado ou o recebimento em dobro da remuneração desse período. Para saber se o seu caso se encaixa, procure o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista.
Por Equipe Meu Próximo Sim. Quem escreve o blog do Meu Próximo Sim: artigos para quem já trabalhou e está procurando a próxima vaga, com fonte aberta em cada número.

O que fazer depois de ser demitido: o que perguntar na reunião, o que pedir por escrito, o plano de saúde, os prazos e o que não fazer na primeira semana.

Como fazer um currículo profissional com anos de carreira: resumo, resultado por cargo, tamanho certo, sinais de idade e o ajuste para cada vaga.

Como se recolocar no mercado de trabalho: prazos da primeira semana, alvo de cargo e salário, currículo para a vaga e a conta de onde a busca para.